Como a realidade virtual tem auxiliado a medicina?

Por: Dra. Ana Carolina Pasquini Raiza

Quando pensamos em realidade virtual, a associamos imediatamente aos jogos, vídeos e a muita diversão. Essa associação está correta porém, a tecnologia virtual tem atingido setores antes não imagináveis como os consultórios médicos.

Mas não estamos falando apenas em entretenimento na sala de espera das clínicas, enquanto se aguarda a consulta ou o exame médico. Estamos falando do uso terapêutico, dentro do consultório de atendimento, nas enfermarias e até dentro do centro cirúrgico, como parte ativa no diagnóstico e tratamento das enfermidades.

Mas o que é a realidade virtual e como ela é criada? A realidade virtual é feita de forma digitalizada, pelo computador, com o auxílio de programas de computação, equipamentos, monitores, óculos com telas digitalizadas, tudo com o objetivo de criar e apresentar ao espectador uma realidade diferente da que está acontecendo naquele local e momento.

No mundo virtual, podemos adicionar imagens, sons, aromas, sensações táteis, estimulando os sentidos do indivíduo, criando uma situação que não existe naquele lugar e espaço, uma realidade virtual. Esse método de disrupção entre o real e o imaginário, cria uma realidade virtual que pode ser útil no tratamento de diversas enfermidades físicas e psíquicas ou mesmo no treinamento da equipe médica.

Na Universidade do Texas, por exemplo, crianças e jovens com autismo podem ser treinados e orientados como agir em diversas situações sociais, através do auxílio da realidade virtual. Pacientes com doenças psiquiátricas também estão sendo beneficiados com a terapia de exposição à realidade virtual. Fobias e outros transtornos psicológicos podem ser enfrentadas gradualmente, em um ambiente virtual seguro, longe do fator real causador do medo.

Na Universidade de Stanford, cirurgiões podem realizar o treinamento de cirurgia endoscópica na realidade virtual, antes de iniciarem a cirurgia no paciente. Cirurgias delicadas, de doenças complicadas, podem ser planejadas e treinadas quantas vezes forem necessárias, antes de serem realizadas em pacientes.

Por fim, no HCLOE, temos utilizado a realidade virtual como uma ferramenta para orientar os portadores de glaucoma sobre a doença. Silencioso até as fases avançadas, o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo e necessita de diagnóstico e tratamento precoce, antes mesmo que o paciente tenha percebido suas manifestações. Através de um óculos 3-D, o paciente é informado sobre a doença e orientado sobre os riscos de evolução para cegueira, caso não se comprometa com o tratamento adequado.

O uso da realidade virtual ainda é pequeno, mas com o desenvolvimento de pesquisas, aplicativos específicos e criatividade, encontramos na tecnologia uma grande aliada da medicina.

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